domingo, 13 de junho de 2010


Marés de março

Marés minhas
Marés nossas
Todas troncos
Todas braços
Todas dedos que tateiam
O meu corpo
Os teus braços
Navegação
Os meus traços
Os teus olhares
Que navegam que volteiam
Como eu danço
Em marés de março.
Naiara Misa-12/06/2010.


Vento


Corpo ao relento
Viro-me costas ao vento
Ar-repio de repente
Ouço o vento
Re-espiro
É nesse ato me reinvento
Revivo cada momento.

Naiara Misa-12/06/2010

sábado, 5 de junho de 2010

















Saciando as necessidades dos sentidos

Tenho sede da tua fala
Bebo-te só pra te ouvir
Frio na sua ausência
Aqueço-me na sua imagem só pra te presenciar
Fome do teu toque
Me entupo com a consciência do meu corpo só  pra te sentir.

Naiara Misa. Em 04/06/2010

sábado, 15 de maio de 2010


Uma valsa no mar

O mar nos tragou
Leve mar, pra ver o mar e reencontrar
No balanço do mar
O abraço tão esperado aportou
O mar nos velejou
Leve mar, pra ver o mar e valsar
 Embalados no balanço
Começamos a valsar
O mar nos velejou
Leve mar, pra ver o mar e amar
Valsando ao som do mar
Velejamos somente pra amar. 

Naiara  Misa- 15/05/2010


segunda-feira, 10 de maio de 2010

    picasso--pablo-sleeping-woman-8401269


Presença {des}conhecida

Hoje senti vontade de ir pra casa                           
Esperar, só pra ver alguém
Alguém que, não vem ou talvez nem exista, não sei
Queria sentir a expectativa de esperar alguém
Sentir o abraço de alguém há tempos não abraçado
Queria senti a presença, nem mesmo sabendo de quem... Alguém.

Naiara Misa- aula evolução do espaço cênico-28/04/10







Prazeres de Janela

Quero uma janela
Só pra abrir
Só pra fechar
Só pra me debruçar
Só pra florir
Só pro sol sorrir e vê-lo deitar
Só pro vento entrar
Só pra ver o mar
Ver o monte
Pra folha cair
A poeira entrar
Pro gato deitar, pular
Pra ver o luar
Pra chuva bater
Pro canto entrar
Só pra eu ver quem vai passar
Pra eu sentar
Pra secar roupa
Pra ver desenho em nuvem
Pra eu deslumbrar o céu azul, multicolor
Pra eu me pentear
Pra eu esperar
Pra eu amar
Pra eu sentir
Quero uma janela pra me libertar...abrir..voltar...volta janela.

Naiara  Misa.03/05/2010.


sábado, 24 de abril de 2010


Com o tato
Em contato
Tateio o mundo
Desvendo mares
Em um ato delicado
De ver no escuro com o tato
Entre pautas e relevos ondulares
Desvendo mares
Conheço lugares
Sinto paisagens
De uma margem a outra
Desvendo mares
Com o tato...

Naiara Misa

Escrevi vendo uma menina lendo em braile, praçinha da alegria UFPB  14/04/2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010


Teci um texto.


Testando a teia, que tecia a tinta na linha.


Entre novelos de silabas, desenrolo as palavras na textura da folha lisa.


Teço as palavras sem o ponto, quem diria {?}


Mas sabe o que eu queria?



Ser um tear, pra tecer as palavras com pontos sem linha. 
Naiara Misa.05/04/2010 14:08

sábado, 27 de março de 2010

Content{e}am{v}ento

Vem no Vento

No tilintar do tempo

Em um corpo atento

Só resta o contentamento

Com saudade batendo

Agora nesse momento.


Naiara Misa.
Escrevi na aula em baixo da árvore. Tarde do dia 23/03/2010.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

NO CAIR DO A(L)TO


NO CAIR DO A(L)TO

Da janela de casa...
Fui tomada de incessantes calafrios.
Quando assistia e aspirava o cheiro da terra molhada.
O habilidoso e descordenado vento
com seus rodopios e assovios,
direcionava o rumo da senhora chuva.
Chuva que cantarolava, embalava e guiava...
a dança suave e súbita das árvores.
O senhor céu como pano de fundo,
escurecia e reluzia aos efeitos participativos dos relâmpagos
que demarcavam as cenas passageiras e carregadas das nuvens protagonistas.
Onde por sua vez passavam e despiam-se dando lugar ao céu azul, junto com o sol que calorosamente aplaudiam mais um espetáculo do dia.                                                
                                                                                                                 Naiara Misa-17-01-2010


sábado, 19 de dezembro de 2009

Seus olhos de neblina


Me embebiam no saboroso aroma do dia


Me perdia no enlace dos seus braços


Encontrando-me no seu cheiro de pele macia


Em seu beijo doce, atrevido, com sabor de mel, de céu ao léu


Desfaleço os meus sentidos.

Naiara Misa. Para J.Cícero
19/12/2009 12:00

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

                                                               O Beijo , ca. 1923, de Cândido Portinari -




Primeiro contato

Estremeço no cheiro do mormaço
Ao som de gotas do telhado quebrado
Enrosco-me na sua cabeça de galhos
Em um ósculo doce quase roubado
Perdurou uma noite em claro
Instantes que duraram, calorosamente e intensamente marcaram.
1:41-25/10/2009.Para Téo Nicácio.
Naiara Misa 


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

saudade


Saudades



Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim"!

                     Florbela Espanca 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

"Mostra tua presença.
Mate-me à tua vista e formosura. 
Olha que essa doença de amor jamais se cura
A não ser com a presença e com a figura"

domingo, 6 de dezembro de 2009

A ausência nunca se fez tão presente quanto agora se faz dentro de mim...


Cabelos presos nos poros do algodão


O cheiro que inebria o sono e sonhos de estar acordada


Fitando o caminho das formigas no compasso do balanço e do vento


Ouvidos atentos a voz que nunca chama, fala e cala


Músicas que invadem meus signos que reagem pulsando num desejo sem começo e fim de apenas querer sentir.


06/09/09

Naiara Misa.

Ron-ron de Madlene


Madlene e Eu



O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.

Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.

É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ron-ron
para mostrar gratidão.

No passado se dizia
que esse ron-ron tão doce
era causa de alegria
pra quem sofria de tosse.

Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ron-ron em seu peito
não é doença – é carinho.

Ferreira Gullar
Poema do livro
“Um Gato Chamado Gatinho”

Afeto...




Sonhei e senti que o sonho era quem me sonhara...

Perseguição com o medo de perder o que já era meu e crescia dentro de mim..

O medo de acordar e não sentir o que me parecia impossível sentir em estado insone,insano ou de sonho...

Entorpecia meu corpo com dor e prazer, vendo o que brotava dentro de mim...

Vivi e senti o cheiro, o abraço e o afeto que ficou adormecido nos meus nove anos de
menina.

Sensação de não ser mais menina, mas agora ser todo o abraço...

Não sei se sonhava, ou acordava de um sonho de estar acordada, ou o sonho sonhava por mim, só sei que senti....afeto Materno.

Sonho do dia 08/09/09/
Naiara Misa

Árvore que sou






Árvore que sou






No sossego extremo de folhas

Na certeza de um caule de escolhas

Desfruto da vida o doce fruto e

Desabrocho como flores sonhos.



2:30-domingo-25/10/2009
Naiara Misa

domingo, 15 de novembro de 2009



Azulou

Meu coração azulou grandioso e infinito, tanto quanto o céu.


Grandioso por, trovejar, radiar e chover sentimentos


E infinito por nunca parar de existir, sem principio e fim, apenas sente.

1:17- domingo-25/10/2009
Naiara Misa.