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sexta-feira, 13 de agosto de 2010




É MAIS QUE ISSO





Tem dias que parece ser de choro e de chuva, talvez não só de choro e de chuva, mas de uma saudosa lembrança alegre. Esses dias que você anda pelas ruas e, subitamente, o céu desanuviado preenche-se por um manto cinza, acompanhado por uma neblina suave e fria que se embebe em seu rosto e corpo com rajadas de ventos, tornando o percurso ruim pra alguns e prazeroso e molhado pra outros. A rua se torna vazia, pois as pessoas não querem se molhar por vários motivos:
Porque não quer molhar o cabelo
Porque não quer molhar o seio
Porque não quer molhar o sapato caro
Porque não quer molhar a capa de um livro raro
Porque não quer molhar os celulares
Porque não quer sentir o frio
Porque não quer ficar febril
Ou até mesmo porque não gostam de chuva.
Algumas pessoas não sabem e, por algum motivo não gostam da chuva, não sabem elas os prazeres e efeitos que uma chuva pode proporcionar ao nosso corpo e aos nossos sentidos, as reações e sensações que podem ser de frio, arrepio, ou até uma lembrança da infância esquecida em algum lugar da sua memória sensitiva e emotiva. Pois é, a chuva pra mim, não é só o cair de água em uma condensação de uma nuvem fria com uma nuvem quente, as mesmas podem está brincando de quente e frio de abraços em forma de gotas pra ver quem chega primeiro na terra, a chuva pode ser o choro de um céu com lembranças e saudade da noite, pode ser o dar e receber dos mares e rios pode ser o riso e alimento das árvores, pode ser o choro que banha pensamentos tristes e alegres, pode ser o germinar de sementes em terras férteis, pode ser a limpeza de caminhos, pode ser a música em notas de telhados desafinados, pode ser o “casamento da raposa”, pode ser o deleite de guarda-chuvas, pode ser o aconchego de enamorados, pode ser o frio dos desabrigados, pode ser o banho dos pássaros. A chuva é bem mais que isso Ela me causa e me traz sensações, reações diversas e indescritíveis (indispensáveis), que só quem sente, sabe; só quem molha lembra, quem sente chove, quem chove chuva, quem sente a rua,quem é de chuva, sempre sente... chove chuva, em mim sempre...

Naiara Misa-dia de chuva-12/08/2010.21:53

domingo, 11 de julho de 2010

Pouca pra tantos


A vida às vezes é pouca pra tanta vontade
Pra tanta saudade
A vida às vezes é pouca pra tanta doçura
Pra tanta procura
A vida às vezes é pouca pra tanta melodia
Pra tanta poesia
A vida às vezes é pouca pra tanta alegria
Pra tanta euforia
A vida às vezes é pouca pra tanto desejo
Pra tanto festejo
A vida às vezes é pouca pra tanto sorriso
Pra tanto lirismo
A vida às vezes é pouca pra tanto canto
Pra tanto encanto
A vida às vezes é pouca pra tanta lembrança
Pra tanta esperança
 A vida às vezes é pouca pra tanto amor
Pra tanto fulgor.

Naiara Misa-11/07/2010-01:04 madrugada.



sábado, 10 de julho de 2010

Cio da Noite


Senti o cheiro intenso do cio da noite
Em uma terra incessantemente fecunda
O orvalho frio e lento a penetrava
Arrepios de vento em folhas
Ouvia cantos de prazer 
Que ressoavam, indo e vindo no arvoredo.

Naiara Misa-10/07/2010-22:09

domingo, 13 de junho de 2010


Vento


Corpo ao relento
Viro-me costas ao vento
Ar-repio de repente
Ouço o vento
Re-espiro
É nesse ato me reinvento
Revivo cada momento.

Naiara Misa-12/06/2010

sábado, 24 de abril de 2010


Com o tato
Em contato
Tateio o mundo
Desvendo mares
Em um ato delicado
De ver no escuro com o tato
Entre pautas e relevos ondulares
Desvendo mares
Conheço lugares
Sinto paisagens
De uma margem a outra
Desvendo mares
Com o tato...

Naiara Misa

Escrevi vendo uma menina lendo em braile, praçinha da alegria UFPB  14/04/2010

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

NO CAIR DO A(L)TO


NO CAIR DO A(L)TO

Da janela de casa...
Fui tomada de incessantes calafrios.
Quando assistia e aspirava o cheiro da terra molhada.
O habilidoso e descordenado vento
com seus rodopios e assovios,
direcionava o rumo da senhora chuva.
Chuva que cantarolava, embalava e guiava...
a dança suave e súbita das árvores.
O senhor céu como pano de fundo,
escurecia e reluzia aos efeitos participativos dos relâmpagos
que demarcavam as cenas passageiras e carregadas das nuvens protagonistas.
Onde por sua vez passavam e despiam-se dando lugar ao céu azul, junto com o sol que calorosamente aplaudiam mais um espetáculo do dia.                                                
                                                                                                                 Naiara Misa-17-01-2010


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

                                                               O Beijo , ca. 1923, de Cândido Portinari -




Primeiro contato

Estremeço no cheiro do mormaço
Ao som de gotas do telhado quebrado
Enrosco-me na sua cabeça de galhos
Em um ósculo doce quase roubado
Perdurou uma noite em claro
Instantes que duraram, calorosamente e intensamente marcaram.
1:41-25/10/2009.Para Téo Nicácio.
Naiara Misa 


domingo, 6 de dezembro de 2009

A ausência nunca se fez tão presente quanto agora se faz dentro de mim...


Cabelos presos nos poros do algodão


O cheiro que inebria o sono e sonhos de estar acordada


Fitando o caminho das formigas no compasso do balanço e do vento


Ouvidos atentos a voz que nunca chama, fala e cala


Músicas que invadem meus signos que reagem pulsando num desejo sem começo e fim de apenas querer sentir.


06/09/09

Naiara Misa.

Ron-ron de Madlene


Madlene e Eu



O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.

Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.

É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ron-ron
para mostrar gratidão.

No passado se dizia
que esse ron-ron tão doce
era causa de alegria
pra quem sofria de tosse.

Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ron-ron em seu peito
não é doença – é carinho.

Ferreira Gullar
Poema do livro
“Um Gato Chamado Gatinho”

domingo, 15 de novembro de 2009



Azulou

Meu coração azulou grandioso e infinito, tanto quanto o céu.


Grandioso por, trovejar, radiar e chover sentimentos


E infinito por nunca parar de existir, sem principio e fim, apenas sente.

1:17- domingo-25/10/2009
Naiara Misa.